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ESMPU promove debate sobre sustentabilidade e novo pacto social
A Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU) promoveu, nesta quinta-feira (21), o encontro “Do comando à escuta, da fragmentação ao entrelaçamento: caminhos para um novo pacto social”, ministrado pelo antropólogo britânico Tim Ingold. A atividade integra o curso “Direito, sustentabilidade e desenvolvimento humano no Antropoceno” e está disponível no canal da instituição no YouTube. Assista aqui.
Na abertura do encontro, a diretora-geral da ESMPU, Raquel Branquinho, destacou a relevância e a pertinência desse debate contemporâneo para a atuação institucional do Ministério Público, cuja proposta é provocar reflexão sobre a relação entre ser humano, meio ambiente e desenvolvimento.
“A proposta do curso, e desta palestra específica, é instigar a percepção dos membros e dos servidores do Ministério Público da União e de toda a sociedade sob o olhar do Direito a partir de uma visão do ser humano integrado ao meio ambiente, mas também sendo a principal força a moldar e transformar o planeta Terra”, pontuou.
A orientadora pedagógica do curso, procuradora de Justiça Militar Adriana Santos, enfatizou a importância da iniciativa para ampliar o diálogo interdisciplinar entre Direito, sustentabilidade e desenvolvimento humano. “Temos participantes nos mais variados estados e regiões do Brasil, numa troca de experiências que é fundamental para enfrentar as dificuldades atuais da sociedade. Agradeço à diretora Raquel Branquinho pela visão da importância de correlacionarmos a ciência jurídica com as demais ciências e vivências”, agradeceu.
Conferência – Tim Ingold propôs uma reflexão crítica sobre os limites do humanismo moderno, os impactos do modelo de desenvolvimento baseado na exploração da natureza e a necessidade de construção de novas formas de coexistência. “Parece que esses 300 anos de progresso não guiaram a humanidade até uma terra prometida de paz e fartura, mas a levaram até a beira de um abismo”, afirmou o antropólogo.
Ao longo da exposição, Ingold defendeu a criação de um “novo humanismo”, que não se baseia na lógica da dominação, mas na continuidade da vida, no cuidado e na coexistência entre seres humanos e não humanos. Também abordou o conceito de “humanar”, formulado a partir de reflexões sobre coexistência, responsabilidade coletiva e interdependência. “Nós, humanos, não somos seres, somos devires”, afirmou.
Já a embaixadora do Inner Development Goals e cofundadora da Range City Stack, Valéria Tavares de Santana, ressaltou a relevância da escuta, da presença e da construção de soluções centradas nas pessoas diante das transformações contemporâneas. “A consciência é entendida como algo relacionado à presença. É estar vendo, ouvindo e percebendo, e, principalmente, em relação ao outro”, afirmou.
Santana também refletiu sobre os efeitos da aceleração da vida contemporânea. “A velocidade com que as coisas acontecem é diretamente proporcional à velocidade do esquecimento”, observou.
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