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Seminário discute controle de espécies exóticas invasoras no Brasil
A Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU) promove, nesta quinta e sexta-feira, 28 e 29 de maio, a segunda edição do seminário “O controle de espécies exóticas invasoras no Brasil: impactos, desafios e a atuação do MPF”. Realizado em formato virtual, o evento reúne integrantes do sistema de Justiça, pesquisadores, gestores ambientais e representantes de instituições públicas para discutir os impactos ambientais, econômicos e sociais dessas espécies no ecossistema brasileiro. Assista aqui.
Na abertura do seminário, o perito oceanógrafo do Ministério Público Federal (MPF) Nilton Eurípedes Filho destacou o crescimento do interesse institucional e acadêmico sobre o tema e a necessidade de ampliar a integração entre órgãos públicos, pesquisadores e sociedade civil. Segundo ele, o seminário busca integrar iniciativas locais, experiências institucionais e referências internacionais relacionadas ao controle de espécies exóticas invasoras para a construção de uma base de dados. “Existe uma necessidade de capacitação técnica para o ambiente jurídico, especialmente diante do aumento de demandas relacionadas às espécies invasoras e da complexidade das medidas de prevenção, controle e responsabilização ambiental”, destacou o perito.
Representando o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o coordenador-geral de Gerenciamento Costeiro e Marinho Integrado, João Nicolodi, ressaltou a importância estratégica do seminário no contexto das políticas públicas ambientais voltadas à zona costeira. “O avanço do peixe-leão no litoral brasileiro exemplifica a complexidade do tema e a necessidade de respostas integradas. Esse é um assunto que vem muito claramente da própria comunidade”, observou, ao relatar experiências realizadas em Fernando de Noronha-PE durante oficinas participativas do Projeto Orla.
Palestras – A primeira palestra do evento abordou a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em ações de controle e gestão de espécies exóticas invasoras em ambientes costeiros. Durante a exposição, o analista ambiental Ivan Teixeira explicou que as invasões biológicas figuram entre as principais ameaças à biodiversidade mundial e afetam diretamente os ecossistemas, as atividades econômicas e a saúde humana.
“O enfrentamento do problema exige atuação articulada entre diferentes esferas governamentais e instituições. A gestão de espécies exóticas invasoras transcende as atribuições e competências de uma única instituição. Não existe, no mundo, nenhuma instituição que consiga lidar sozinha com isso. É um trabalho de conjunto”, afirmou.
Na segunda palestra do dia, o professor e instrutor de mergulho da Sea Paradise Ruben Rockenbach abordou a expansão do peixe-leão em Fernando de Noronha e os impactos provocados pela espécie nos ecossistemas marinhos da região. A apresentação destacou os desafios enfrentados pelas equipes de monitoramento e controle, além da importância da participação das comunidades locais, de pesquisadores e de instituições ambientais na contenção da espécie invasora.
Programação – Ao longo dos dois dias, o seminário promove painéis voltados ao debate sobre diferentes espécies invasoras e estratégias de gestão ambiental em diversas regiões do país. Entre os temas abordados estão os impactos do coral-sol na zona costeira brasileira; as espécies invasoras nos estados da Bahia, São Paulo, Pernambuco e Amapá; além de debates sobre gestão de vias e vetores, detecção precoce, fiscalização ambiental e sistemas de informação sobre espécies exóticas invasoras. A programação inclui discussões sobre coral-mole, coral-azul, medusas invasoras e ações de combate ao peixe-leão, com participação de especialistas do Ibama, ICMBio, universidades e órgãos ambientais estaduais e federais.
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