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Webinário da ESMPU promove debate sobre desafios da segurança hídrica
A Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), em parceria com a 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF e o Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (Cirat), promoveu, nesta quinta-feira (16), o webinário “Estrutura molecular da água, poluentes difusos e seu impacto na vida no planeta: a importância da cooperação acadêmica”. O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater inovação científica, reúso e monitoramento da água e mudanças climáticas. Assista à atividade no canal da ESMPU no YouTube.
Na abertura do webinário, a procuradora regional da República e coordenadora do projeto Conexão Água (4ª CCR/MPF), Sandra Kishi, destacou a gravidade do cenário global e a urgência da articulação entre ciência e instituições. “Uma em cada quatro pessoas no mundo não tem acesso à água potável. Precisamos abrir a ciência de fronteira para que todos possam ter informações necessárias sobre como vencer desafios de tratabilidade de acesso à água”, disse.
Na sequência, o diretor-geral do Cirat, Sergio Augusto Ribeiro, reforçou a importância de se compreender a água em suas múltiplas dimensões. “É preciso ter esse olhar sistêmico e complexo do tema. Temos de trabalhar o aspecto do acesso, que envolve a questão social, econômica, cultural, e o nível supermacro das mudanças climáticas”, afirmou.
Painéis – A programação do webinário contou com três painéis, que discutiram a estrutura molecular da água, o monitoramento de poluentes emergentes, agrotóxicos e microplásticos e, por fim, os avanços e as boas práticas em monitoramento, segurança da água e energética.
O primeiro debate foi mediado por Ribeiro, com a participação dos professores Roumiana Tsenkova, da Universidade de Kobe (Japão), e Pedro Caetano Sanches Mancuso, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), além do pesquisador do Instituto de Geociências da USP Samar Steiner.
Tsenkova apresentou abordagem sobre a aquaphotomics, o sistema molecular da água, e ressaltou o papel central da água nos sistemas vivos. Para a professora, a água deve ser compreendida como entidade dinâmica e que responde a perturbações. “A água traz informação sobre todos os elementos ao redor dela, funcionando como um espelho capaz de revelar alterações no ambiente, inclusive a presença de contaminantes em baixas concentrações”, completou.
Na mesma linha, a professora enfatizou o potencial da tecnologia para o monitoramento ambiental. “Nós conseguimos monitorar e identificar exatamente o que está na água, só observando o padrão espectral, evidenciando aplicações diretas para segurança hídrica, saúde e agricultura.”
O professor Mancuso abordou o tema das nanobolhas e do reúso da água, com destaque para a centralidade dessa prática no contexto atual. “É muito difícil imaginarmos uma água que não tenha sido usada. Se considerarmos o ciclo da água na natureza, vamos chegar à conclusão de que toda água já foi utilizada”, afirmou, ao explicar que o reúso é inerente ao ciclo hidrológico e deve ser tratado com base em critérios técnicos e regulatórios.
Encerrando o painel, o pesquisador do Instituto de Geociências da USP Samar Steiner apresentou as aplicações práticas da tecnologia de nanobolhas e o seu potencial de transformação. Segundo ele, a nanobolha é considerada uma tecnologia que muda a estrutura físico-química da água permitindo maior eficiência na oxigenação e no tratamento de águas poluídas. “É a melhor tecnologia disponível para reúso de água e para manutenção das condições aeróbicas de um curso de água”, concluiu.
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