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Diversidade racial, religiosa e artística marca abertura de simpósio internacional em Brasília

Evento segue até dia 8 de novembro com palestras e oficinas que irão debater os desafios para a superação de estigmas étnico-raciais e religiosos no País e no mundo
publicado: 07/11/2019 12h24 última modificação: 07/11/2019 17h11

Os impactos do racismo, do preconceito e da discriminação religiosa estão sendo debatidos no Simpósio Internacional “Indígena, negro/a, quilombolas e religioso/a de matriz africana: preconceito, racismo, discriminação e seus reflexos nas relações de trabalho, produção e consumo”, iniciado na tarde da terça-feira, 5/11, na Procuradoria-Geral do Trabalho, em Brasília-DF.

Ao abrir o simpósio, a subprocuradora-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT) e coordenadora do Grupo de Trabalho “Comunidades tradicionais do MPT”, Edelamare Melo, destacou a necessidade de se promover amplo debate, em seus múltiplos vieses, para contextualizar os desafios enfrentados pelas populações que dão título ao evento. Edelamare, que também é a coordenadora pedagógica responsável pelo simpósio, acrescentou que “é preciso discutir a qualidade dos serviços públicos que são destinados a essas populações e sua eficácia para a necessária e indispensável capacitação e qualificação exigida para a inclusão social e produtiva no mundo do trabalho”.

O diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), João Akira Omoto, afirmou que a cultura dos povos originários e das populações que expressam sua fé nas religiões de matriz africana merece ser respeitada em todos os espaços. Ele também destacou a importância de celebrar a liberdade de expressão, a diversidade e a democracia étnica, racial, religiosa e artística. “A ESMPU tem sido um espaço de liberdade de expressão daquilo que representa a sociedade brasileira, que é a nossa maior riqueza e eu desejo que nós possamos desenvolver a consciência do que podemos fazer para construir um futuro melhor e mais justo para todos", finalizou Akira.

O procurador-geral do Trabalho, Alberto Bastos Balazeiro, ressaltou a relevância do evento e afirmou que o MPT e a ESMPU seguem empenhados em promover o debate e o enfrentamento ao preconceito, ao racismo e à discriminação, tanto nas relações de trabalho e de produção, quanto nas relações de consumo. “Não nos basta apenas relatar a gravidade do tema, nós também queremos apresentar soluções à sociedade e, por isso, seguiremos lutando pela valorização da vida e do trabalho daqueles que nos antecederam na história”, concluiu.

A representante da liderança indígena do povo Xavante, Samantha de Carvalho Juruna Ro'otsitsina, afirmou que os povos originários vivem atualmente um momento difícil, mas que é preciso resistir e continuar combatendo todo e qualquer tipo de preconceito. “Ter voz e vez em um evento tão diverso e importante como este nos deixa de cabeça erguida para seguir lutando e honrando a memória dos nossos ancestrais”, reforçou Samantha.

Para a historiadora e pesquisadora de relações de gênero e relações raciais Wania Sant’Anna, a comunhão de povos tão distintos na luta contra o racismo, o preconceito e a intolerância religiosa reforça o senso crítico da sociedade que anseia por justiça e igualdade. “Reunir no mesmo encontro os povos indígenas, as comunidades quilombolas, as organizações ativistas do movimento negro e as religiões de matriz africana, pavimenta o caminho da liberdade e do respeito aos valores democráticos. Possibilitar que todas estas pessoas possam viver plenamente é nossa responsabilidade.”

A mesa de abertura também contou com a presença do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e diretor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (ENAMAT), Luis Philippe Vieira de Mello Filho; da diretora-geral adjunta da ESMPU, Daniela de Morais do Monte Varandas; da vice-procuradora-geral do Trabalho, Maria Aparecida Gugel; do diretor do escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Martin Georg Hahn; da representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância no Brasil (UNICEF/Brasil), Florence Bauer; do representante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Sebastião Vieira Caixeta; da diretora de eventos da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Ana Cláudia Monteiro; do Babalorixá da Casa de Oxumarê Babá Pecè; do presidente da ONG Educafro (Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes), Frei David; do diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), Marivelton Baré; da educadora quilombola Gilvânia Maria; do secretário nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, Juvenal de Araújo e da representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), Sônia Maria Zerino.

O simpósio é promovido pela ESMPU e pelo MPT, com apoio da OIT e do UNICEF, além de várias instituições e organizações voltadas para a promoção da cultura afro-brasileira. Ele segue até a sexta-feira (8/11), com atividades que serão conduzidas por autoridades, pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais. O encontro também vai discutir a relação entre raça, gênero, religiosidade, violência e assédio no mundo do trabalho e das relações de produção e consumo, adotando, como marco normativo, as Convenções 169 e 190 da OIT e demais normativas internacionais e nacionais aplicáveis à espécie. 

O evento está sendo transmitido ao vivo no YouTube pelo Canal Àwúre. Clique aqui para acompanhar.

Confira as fotos da cerimônia abertura.

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