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Professores de língua portuguesa discorrem sobre a importância da linguagem correta na redação jurídica

Mário Vasconcelos e Lara Brenner participaram da série de diálogos virtuais e conversaram com o secretário de Planejamento e Projetos da ESMPU, Carlos Vinícius Ribeiro
publicado: 20/05/2020 13h07 última modificação: 20/05/2020 15h04
Ilustração com foto

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Os novos formatos de comunicação têm transformado o uso da língua portuguesa, sobretudo nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens instantâneas. No atual contexto em que o mundo jurídico discute amplamente os impactos da pandemia da Covid-19, os professores de Português Mário Vasconcelos e Lara Brenner foram os convidados para participar da série “Diálogos Interdisciplinares”, promovida pela Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), para falar sobre a importância do uso claro e correto da linguagem, especialmente em canais digitais. Clique para assistir.

Na entrevista virtual, conduzida pelo secretário de Planejamento e Projetos da ESMPU, Carlos Vinícius Ribeiro, os professores utilizaram exemplos e compartilharam conhecimentos acadêmicos e suas percepções sobre o papel da boa comunicação verbal e escrita na redação jurídica.

Quando indagados se as novas formas de comunicação eletrônica buscam priorizar a compreensão de uma mensagem, mesmo que não haja utilização correta da norma culta, os entrevistados concordaram entre si e responderam que sim. A professora de língua portuguesa e advogada licenciada Lara Brenner reforçou, ainda, que as transformações da língua nos meios digitais apresentam uma “dissociação artificial de forma e conteúdo” e que, portanto, para que uma comunicação seja eficiente não se pode desconsiderar a maneira como ela acontece.

Brenner ressaltou a existência de um lapso geracional em canais como o WhatsApp e pontuou que a utilização do aplicativo evidencia a perda da integração linguística entre seus usuários. Ela também chamou atenção para a utilização, em excesso, do corretor ortográfico automático e alertou que, embora sirva como um recurso auxiliar, a ferramenta pode cometer equívocos que prejudicam a comunicação.

No âmbito jurídico, a professora lembrou que a nova edição do Manual de Redação da Presidência da República sinaliza que todo conteúdo produzido em canais digitais também possui valor legal dentro de um processo e que, portanto, a linguagem precisa ser utilizada de forma adequada. “É muito importante seguir determinadas orientações linguísticas na comunicação via e-mail ou mesmo pelo WhatsApp, porque isto pode servir como prova documental em um momento futuro”, concluiu.

O professor de Português Jurídico e advogado Mário Vasconcelos destacou que a linguagem falada e a linguagem escrita são pontos que constituem o trabalho de um jurista e reforçou a necessidade do domínio da língua portuguesa na elaboração de peças jurídicas de qualidade. Vasconcelos, que foi assessor jurídico da Casa Civil do Estado de Goiás durante dezenove anos, admitiu que a nossa língua é um instrumento complexo para muitos e que ainda é comum que peças jurídicas sejam rejeitadas por falta de objetividade e coerência textual. “As peças jurídicas são como histórias contadas, por isso, além de bem escritas, elas precisam seguir uma lógica contextual. Se o cidadão que vai contar essas histórias não domina as noções básicas da língua, ele fica inseguro e isto compromete a objetividade da sua comunicação”, finalizou.

Série “Diálogos Interdisciplinares – a pandemia do Coronavírus”

Promovidos pela ESMPU, os encontros virtuais buscam fomentar a discussão, o debate e a reflexão sobre aspectos jurídicos, sociais e econômicos das medidas tomadas para combater a pandemia do coronavírus no Brasil e no mundo.

Lançada no final de março, a série conta com a participação de acadêmicos, especialistas, economistas e juristas. Confira os episódios já disponibilizados aqui.

 

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