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Seminário em Manaus (AM) discute de gênero e raça

Debate promovido pela ESMPU nos dias 21 e 22 de março contou com a participação da subprocuradora-geral da República Ela Wiecko
publicado: 25/03/2019 14h51 última modificação: 25/03/2019 14h51

A construção da identidade de gênero ao longo do tempo, as problemáticas históricas em torno da questão racial e a evolução do entendimento acerca da sexualidade humana foram alguns dos temas discutidos no Seminário “Gênero e Raça”, iniciado na última quinta-feira (21), no prédio anexo da Procuradoria da República no Amazonas (PR/AM). O primeiro dia do evento realizado pela Escola Superior do Ministério Público (ESMPU) contou com palestras ministradas pela coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Gênero, Sexualidades e Interseccionalidades da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professora Fátima Weiss de Jesus, e pela coordenadora do Comitê Gestor de Gênero e Raça do MPF, a subprocuradora-geral da República Ela Wiecko.

Fátima Weiss falou sobre pesquisadoras feministas que estudaram a temática da identidade de gênero desde o século passado para formar a compreensão do que é ser mulher, como Simone de Beauvoir e Joan Scott, além do histórico de opressão das mulheres nas sociedades patriarcais e de que maneira o papel da mulher na sociedade foi se modificando ao longo dos anos. A pesquisadora também fez diferenciação de conceitos essenciais relacionados a aspectos biológicos, emocionais e culturais do ser humano. 

“Sinteticamente, sexo seria a categoria que ilustra as diferenças biológicas entre homens e mulheres; gênero remete à construção cultural coletiva de atributos de masculinidade e feminilidade; a identidade de gênero é um conceito pertinente para pensar o indivíduo no interior de uma cultura determinada e a sexualidade é um conceito contemporâneo para se referir às práticas e aos sentimentos ligados à atividade sexual dos indivíduos”, pontuou Fátima Weiss.

Ao falar sobre a sexualidade humana, Fátima Weiss ainda lembrou de momentos importantes para a superação de preconceitos, como a retirada do termo “homossexualismo” da lista de distúrbios mentais da American Psychology Association, em 1973.

A estagiária do Ministério Público do Trabalho Camila Silva dos Santos, que acompanhou o evento, acredita que o cenário político brasileiro atual reforça a importância do debate sobre as desigualdades e os preconceitos que ainda permanecem enraizados na sociedade. “A polarização em que vivemos é uma ameaça porque acredita-se que quem não está inserido nesse grupo (das maiorias) não merece respeito ou mesmo que dar igualdade de direitos significaria tirar de outros”, opinou.

O seminário encerrou na última sexta-feira (22), com oficinas que trataram sobre racismo, sexismo, discriminação de estereótipos, dentre outros temas.

Seminário Gênero e Raça - De acordo com a coordenadora da Comissão de Gênero e Raça do MPF no Amazonas e uma das palestrantes do seminário, procuradora da República Michèle Diz Y Gil Corbi, esta é a primeira de seis edições do seminário que será levado a outros estados brasileiros. Para ela, o evento é uma oportunidade de discutir de que forma é possível superar as desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho e na sociedade mais amplamente.

 

Fonte: Ascom PR/AM (editada)

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