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Oncologista avalia impactos da pandemia no tratamento de pacientes com doenças crônicas

Adriana Castelo foi entrevistada pelo diretor-geral da ESMPU, Paulo Gonet, e recomendou que a avaliação de casos com suspeita de câncer continue sendo priorizada
publicado: 19/06/2020 14h27 última modificação: 19/06/2020 14h27
Ilustração com foto

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A pandemia provocada pelo novo coronavírus atingiu diretamente os serviços de saúde. Superlotação de pacientes contaminados, carência de leitos e baixo quantitativo de profissionais, além das demandas de tratamento médico de outras enfermidades, são algumas das principais consequências observadas. Para falar sobre as repercussões deste cenário, o diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), Paulo Gonet, conversou com a médica oncologista e pesquisadora Adriana Castelo sobre o impacto da pandemia no tratamento de pacientes com doenças crônicas em mais uma edição da série de do bate-papos virtuais. Clique e assista a entrevista completa.

Adriana Castelo, que atua como oncologista no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e no Grupo de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, afirmou que o volume de diagnósticos de casos de câncer reduziu consideravelmente e que o número de pacientes que procuravam a emergência, por diferentes motivos, também diminuiu. Ela atribuiu a redução ao fato das pessoas estarem com receio de sair de casa para procurar os serviços de saúde e chamou atenção para um estudo do Reino Unido que apontou o risco de aumento de mortes causadas por câncer, motivadas por diagnóstico tardio, neste período de pandemia.

Em relação ao déficit de recursos médicos, a oncologista salientou que o problema é principalmente observado na rede pública, onde há um direcionamento maior das ações e das equipes que atuam na linha de frente. “É importante dizer que o problema não é só o fato das pessoas não procurarem os serviços de saúde, mas também a questão do diagnóstico atrasado, porque a fila de espera está aumentando e isso vai impactar e aumentar a mortalidade por câncer”, alertou. Ela lembrou ainda que a situação é multifatorial e também pode ser discutida do ponto de vista do impacto econômico, visto que muitas pessoas perderam o emprego e, com isso, deixaram de ter recursos financeiros para realizar exames.

Castelo afirmou ser entusiasta da telemedicina e destacou que considera o serviço viável para orientar e realizar a triagem de pacientes que poderiam procurar a emergência de um hospital, por vezes desnecessariamente. “Quando o paciente é atendido por telemedicina é possível oferecer um suporte, mesmo a distância, e orientá-lo quando ele deve procurar a emergência ou quando ele pode continuar se tratando em casa”, completou.

Ela avaliou que o serviço online poderia ser aplicado em cidades do interior, onde há maior carência de profissionais de determinadas especialidades, como uma alternativa para disseminar assistência médica e desafogar os serviços de saúde no atual cenário de crise sanitária. Entretanto, pontuou que o serviço deve ser regulamentado para que seja de fato oferecido apenas por médicos. Além disso, ressaltou que a oncologia e outras especialidades não podem adotar o modelo, pois o acompanhamento do paciente precisa ser feito de forma presencial.

Por fim, Adriana Castelo recomendou que a avaliação de casos com suspeita de câncer continue sendo priorizada. “Todos os hospitais entendem que o paciente oncológico é um paciente de risco e que não pode ter o seu tratamento interrompido. Então, independentemente da pandemia, se uma pessoa tem qualquer sintoma ou apresenta um risco muito elevado de ter câncer é imprescindível que o caso seja investigado e diagnosticado”, concluiu.

Série “Diálogos Interdisciplinares – a pandemia do Coronavírus”

Promovidos pela ESMPU, os encontros virtuais buscam fomentar a discussão, o debate e a reflexão sobre aspectos jurídicos, sociais e econômicos das medidas tomadas para combater a pandemia do coronavírus no Brasil e no mundo.

Lançada no final de março, a série conta com a participação de acadêmicos, especialistas, economistas e juristas. Confira os episódios já disponibilizados aqui.

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