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Atores locais trocam experiências e constroem propostas para integração de venezuelanos em Roraima

Oito oficinas engajam comunidade local na discussão de temas relacionados ao fluxo migratório no estado
publicado: 26/11/2018 11h22 última modificação: 26/11/2018 17h25
Durante dois dias, de 23 e 24 de novembro, aconteceram em Boa Vista (RR), nove oficinas com contaram com 252 participações

Durante dois dias, de 23 e 24 de novembro, aconteceram em Boa Vista (RR), nove oficinas com contaram com 252 participações

Durante dois dias, 23 e 24 de novembro, aconteceram em Boa Vista (RR), as oficinas do projeto “Atuação em rede: capacitação dos atores envolvidos no acolhimento, integração e interiorização de refugiados e migrantes no Brasil”. As atividades buscam capacitar os atores da rede local e promover a discussão em temas relacionados ao fluxo migratório que acontece na cidade, como Nova Lei de Migração, Lei do Refúgio, direitos e acesso à Justiça, gestão migratória em nível local, violação de direitos humanos em contexto de emergência, inserção laboral e exploração e migração indígena.

As oficinas contaram com 252 participações, representando diversas instituições públicas, privadas e sem fins lucrativos municipais, estaduais e nacionais que atuam no acolhimento, integração e interiozação dos migrantes em Boa Vista e em Pacaraima. Estiveram presentes policiais rodoviários federais, integrantes das agências da Organização das Nações Unidas (ONU), assistentes sociais da prefeitura dos municípios de Pacaraima e Rorainopólis, membros e servidores do Ministério Público da União (MPU), integrantes das Forças Armadas que atuam na Operação Acolhida, indígenas Warao e E'ñepá, entre outros.

De acordo com o oficial de relações institucionais do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Pablo Mattos, existem várias consequências positivas do fluxo de pessoas em Roraima, mas é preciso que elas sejam bem encaminhadas. Ele considera que o evento permitiu o engajamento das pessoas e a construção coletiva dos encaminhamentos, que devem beneficiar tanto a população deslocada quanto a população de acolhida. “A comunidade local precisa fazer parte da solução para a crise migratória em Roraima, para que se aprenda a extrair as oportunidades geradas por esse fluxo”, destacou.

Viviane Lima, socióloga e mestranda em sociedade e fronteira, frisou a necessidade de se ter feedbacks dos encaminhamentos feitos nas oficinas. Ela participou da oficina “Gênero, migração e rede de proteção: onde eu me insiro?”, na manhã do dia 23, e comemorou a criação de uma rede local para atuação na temática.

Na tarde do sábado (24/11), ainda aconteceu uma oficina de media training para porta vozes das instituições envolvidas no acolhimento de migrantes. Um dos objetivos desse treinamento é preparar os atores da rede local para usar a comunicação como ferramenta de fortalecimento do trabalho com os venezuelanos.

Atuação em Rede em Roraima – O diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), João Akira Omoto, explicou que as atividades de capacitação do projeto Atuação em Rede chegaram a Roraima no momento em que a Operação Acolhida criou condições de atender emergencialmente a grande maioria das pessoas que têm entrado no país por Roraima, principalmente no tocante ao acolhimento, ao abrigamento e à emissão de documentos, de maneira que é possível dar início a discussão sobre a integração do venezuelanos.

João Akira ressaltou que, por suas características, o fluxo migratório continuará trazendo um grande número de migrantes do país vizinho, que permanecerá no Brasil. Ele considera que, durante o trabalho realizado no seminário e nas oficinas, ficaram evidentes as necessidades de maior envolvimento do Estado e dos municípios de Roraima e de criação de políticas nacionais articuladas com políticas regionais e locais capazes de implementar medidas que promovam efetivamente a integração dos migrantes em todo território nacional.

“Nós já temos mais de 3 mil venezuelanos interiorizados e um projeto de intensificação dessa estratégia, o que torna fundamental ir aos municípios e estados discutir as políticas de acolhimento e integração para que se possa transformar de fato o fluxo migratório em desenvolvimento para o país”, concluiu Akira, revelando que em 2019 as capacitações deverão acontecer em mais dez cidades.

Rede de capacitação – As oficinas fazem parte do projeto “Atuação em rede: capacitação dos atores envolvidos no acolhimento, integração e interiorização de refugiados e migrantes no Brasil”, em Roraima. O objetivo da Rede é fomentar a discussão em torno da necessidade de se estabelecer políticas locais de acolhimento, abrigamento e integração para refugiados e migrantes. Conheça o projeto.

Antes das oficinas, no dia 22 de novembro, Boa Vista sediou o simpósio “Refugiados e Migrantes em Roraima: como acolher e integrar”. Saiba mais.  

Confira as fotos das oficinas.

Assessoria de Comunicação
Escola Superior do Ministério Público da União
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